Tenho mordido a minha língua
E cortado os meus dedos.
Tenho rasgado a minha pele
E ainda queimo as unhas.
Tenho esfaqueado as mãos
E pregado os meus pés.
Já escalfei as minhas pernas
E esfolei os meus joelhos.
Mas nada disso,
Faz-me esquecer-te.
Já mergulhei num rio de lava
E nem sequer sei nadar.
Atravessei mil desertos
Acompanhado pela solidão
E fiquei dias sem comer
A cair de telhado em telhado.
já tentei tudo, mesmo tudo,
Mas nenhuma tortura é pior
Que a falta da tua presença.
Filipe Garrido
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