domingo, novembro 12, 2006

Vagabundo

Homem invisível,
Escória da sociedade,
Não há nada mais terrível
Que não saber a própria idade.

Ninguém sabe quem és
Nem tão pouco de onde vens,
Mas há-de chegar a vez
De mostrar tudo que tens.

Pela rua ouves o murmúrio
De uma vida melhor,
Mas só um bom augúrio
Cessará a tua dor.

És o único no mundo
Entre a morte e a fome,
Não és somente vagabundo
És um homem sem nome.



Filipe Garrido

quarta-feira, novembro 01, 2006

Quantas vezes?

Quantas vezes devo chamar-te,
Até ouvires a minha voz?
Ou até quando devo tocar-te,
Para que sintas a minha presença?
Quantas vezes devo cair,
Até me levantares?
Quantas vezes devo perder,
Para que me ajudes a ganhar?

Até quando ficarás parada
Por aí sem fazer nada?

Quantas vezes devo ferir-me,
Até que me venhas cuidar?
Até quando devo esconder-me,
Para que tu me queiras encontrar?
Ou quão rápido devo correr,
Para que eu te alcance?
Quantas vezes devo perguntar-te,
Para que me respondas?

Quantas vezes devo sonhar,
Até que se torne realidade?
Quantas vezes?!
As vezes que forem precisas.



Filipe Garrido

Quando amar é uma doença

No dia em que nasci
O Cupido sucumbiu
Deixando-me a praga
De amar sem ser amado.

Amado talvez eu seja
Mas não como eu queira
Quem não tem o que deseja
Por pouco se desespera.

Um olhar foi o que me deste
A minha vida quis eu dar-te
Não sabes mas me prendeste
E eu não quero libertar-te.

Quando amar é uma doença
Contagia todo o ser
Não a vacina que vença
O que não se pode bater.



Filipe Garrido