quinta-feira, maio 19, 2005

Ainda respiro

Nada me sorri
Nesta demanda contra o tempo
Tenho esperança no impossível
Por isso ainda respiro,
Só me resta esperar…
Que algum dia o vento sopre para mim.
Penso que não valha a pena ter pressa
Apesar de querer que seja já "amanhã",
O anseio do amanhã é sempre pior
Vivemos os dias todos da mesma maneira
E nunca há nada de novo
A impaciência a alimentar os nossos corações
E a insegurança nos enche de ilusões.
E depois há a decepção,
Pensamos que o amanhã será diferente
E às vezes melhor.
Mas o melhor é não criar muitas expectativas,
Manter a esperança mais longe do céu
E os pés assentes na terra.


Ana Cláudia e Filipe Garrido


Eu não tenho mundo.
Aqui sou vagabundo,
Viajante sem destino
Proclamando a liberdade.
Nada me prende aqui,
Em breve partirei.
Sei que muitos chorarão,
Mas não se preocupem
Pois nunca o fizeram.
Aqui eu sou um fantasma
Assistindo a sua extinção,
Sombra de um reflexo
Agarrado arduamente
A um toque de vida.


Filipe Garrido

domingo, maio 08, 2005

Gigolo

Parto do princípio
Que tens roupa lavada
E curas o suplício
De qualquer mal amada.

Andas perfumado
Com sapatos brilhantes
És o mais pausado
De todos os amantes.

Sabes o que fazer
Ou ao menos aprendes
Mas qualquer mulher
Sabe o que tu rendes.

Com muito amor
Vais à tua luta
Mas não és melhor
Que qualquer prostituta.


Filipe Garrido