quarta-feira, maio 17, 2006

Saudade

Tinhas razão quando disseste
Que eu sentiria a tua ausência.
Por mais que eu não quisesse,
Aos poucos fui acreditando
Que nada supera ou desfaz
O que eu sinto na tua presença.
Nada é maior do que a vontade,
Essa força que me atrai ao teu destino
Nunca conseguirei dizer-te
Tudo aquilo que sinto
É uma amalgama de sentimentos,
Num turbilhão de emoções.
É um peso vazio
Que me assola o coração.
Se me virem sorrir,
É o doce sorriso da tristeza,
Essa que me dá alento,
Não me deixando esquecer
Daquilo que sinto por ti,
Alimentando a saudade
Que brotou dentro de mim.



Filipe Garrido

terça-feira, maio 09, 2006

Eu, no universo

Eu, partícula finita
Inacabada no seu ser.
Ponto supérfluo
Flutuando no universo.
Fonte de vida,
Sentido de infinito
Perdido em todo lugar
Afastado de ti, de mim,
Acostado em meu sítio
Farol do mundo.
Ter-te tão longe
Mas, no entanto sentir-te
Encontrar-te na mente,
Meu maior domínio.
Eu, no universo,
Eu só, somente eu.



Filipe Garrido

segunda-feira, maio 01, 2006

Ego

Faço uma viagem
Ao fundo mais profundo
Da minha ilustre alma.
Procuro em mim um elo,
Uma ligação com o mundo.
Enquanto estou aqui parado
A reflectir sobre as coisas
E sobre o que vos vai na alma,
Apercebo-me que sou o único assim,
Sou o único que está preocupado.
Somos tão iguais, eu e estas pessoas
Mas, no entanto, tão diferentes.
Pouco ou quase nada
Tenho em comum com essa gente.
A eles nada importa.
Portanto não me julguem,
Não me chamem com os vossos nomes.
Eu sou único
E nenhum de vocês me iguala.
A minha alma é pequena,
Mas diante vós, é soberba.
Em relação a vós,
Eu tenho muitas almas
E só por isso, eu sou muitos.



Filipe Garrido