Domingo, Setembro 05, 2010

Podem tirar um angolano de Angola, mas nunca poderão tirar Angola de um angolano!!!

Sábado, Agosto 01, 2009

Nos braços da felicidade

Aqui se acabam
Todas as prioridades
Que a minha vida decidiu oferecer-me
Estou à beira de um precipício
Já não posso seguir em frente
Mas posso sempre cair ou voar.
Se cá estivesses
Eu abriria as minhas asas e voaria.
Mas eu estou tão só
Acompanhado pelo abandono.
Só me resta saltar
E esperar que enquanto caio
Tu venhas envolver-me em teus braços
Como tão bem sabes fazer.

Filipe Garrido

Sábado, Julho 11, 2009

Entre o silêncio e a palavra

Entre o silêncio e a palavra
Deveria existir algo mais
Deveríamos estar nós
Pois o teu silêncio mata-me
E o meu silêncio magoa-te.
As minhas palavras
Rasgam-te o coração
Feito facas de gumes
E as tuas palavras
Que antes, somente, quentes
Surgem tão frias
Que me gelam a pele.
O meu corpo jaz, a minha voz cala.
Como quebrar um silêncio
Se as palavras em nada ajudam?
Com um toque, um abraço, um olhar?
Entre a palavra e o silêncio
O nada existe.


Filipe Garrido

Segunda-feira, Junho 01, 2009

Hoje dei por mim a chorar
Estava diante do espelho
As lágrimas escorriam
E trilhavam o seu caminho
Pelo o meu infundado rosto.

Eu não sentia o rosto molhado
Mas ao olhar para o espelho
Vejo-me todo encharcado
Passo as mãos no rosto
Elas voltam secas e insensíveis

Sinto amor e ódio
Com a mesma força
Amor por ti, ódio por mim
E todos os outros ao teu redor.
Todos não, apenas ele.
O que te acolheu, quando eu te magoei.

Hoje chorei por dentro,
Diante do espelho da minha alma
Hoje, mais uma vez, chorei.



Filipe Garrido

Sexta-feira, Maio 15, 2009

Tic Tac

Depois de ti, o nada, Tic Tac
O vazio toma conta de mim, Tic Tac
A dor que outrora era abafada pela tua voz
Surge agora rompendo os meus silêncios, Tic Tac
A agonia marcante pela tua ausência
Rasga-me a pele
Como cacos que me percorrem as veias e as artérias, Tic Tac
E destroem-me por dentro
Triturando-me a existência, Tic Tac
Choro lágrimas de Sangue
Dos mortos que me recordam, Tic Tac
A saudade corre como o tempo
E não me dá descanso. Tic Tac
Os sinais já não transportam mensagens
As mensagens transparentes
Quase invisíveis, Tic Tac
Tudo é faca de dois gumes
Não tenho protecção aqui
Onde só a tristeza habita, Tic Tac
O tempo não para
E para longe parece levar-nos.



Para Mariana

Filipe Garrido

Sábado, Abril 11, 2009

Mais para lá do desapontamento
Que criei em ti
Está um sentimento de desconfiança
Mais para cá de tudo o que sentímos
Está o mais puro amor que jamais vivémos
Mais além de mim, de ti, do infinito
Estão as barreiras que eu tenho que vencer
Só de saber que arrisco perder-te
Tu que tens olhos de sonhadora,
Sorriso radiante
Contigo o silêncio também precisa de legendas
Transcritas nas entrelinhas das nossas palavras
Porque eu, ao falar por código
Teimo eu não te entender
Caio nos meus sinais, e perco-me dos teus.
Para lá das nossas palavras
Está o nosso amor,
A felicidade à espreita.



Filipe Garrido

Quarta-feira, Abril 08, 2009

Miragem

E depois de falarmos
Vem o silêncio
A dor persiste e não desaparece
E depois do silêncio
Vem a tua voz aquecer-me o coração
Volta a ilusão de te rever
No silêncio, alimento-me das miragens
Das ilusões que tenho na mente.
Os suspiros separam os sonhos
Mas não os terminam.
Hoje a realidade talha essa miragem
Lembro-me que ainda sinto dor
E que vivo em alucinações.
Os olhos humedecem
Não gosto desse realidade
Regresso ao calor das miragens
Ao conforto dos sonhos
Ao menos lá estou contigo,
A dor ausenta-se
Voa para longe de mim.



Filipe Garrido

Tempestade

Com a noite chegam as lágrimas
O desespero
Já nada pode ser igual
Já nada poderia ser igual
O grito que solto sai mudo
Ninguém o escuta
De tão ensurdecedor
A memória latente
Permanece suspensa
Como bola de cristal
Que se quebra se cair.

Eu choro, comigo chora o céu
E grita, troveja como mais ninguém.

A dor do amanhã chega hoje
Pelo que fiz ontem

Tempestade…



Filipe Garrido