Agora, vou levantar-me amanhã.
Vou curar-me de tudo,
Fazer de mim algo melhor.
Tenho estado aqui, não sei
Talvez uns cem anos.
E apesar disso
Tu não queres saber de mim.
Espelhas no rosto o desgosto
Do meu fim eterno,
Mas afastas-te de mim.
Não quero ser assim,
Imortal com a força toda.
Vem ceifar-me a vida,
Liberta a minha alma
Deste corpo decadente.
Vem morte, leva-me contigo
Beija-me, abraça-me,
Mas não me deixes aqui,
Mostra-me o teu poder
Já que és senhora do destino.
Sei que a minha sina não é esta,
Leva-me de uma vez
E não me deixes com o mesmo nada.
É sempre a mesma vida
Já nem tenho força para gritar
Sou como uma pedra a cair
Num longo poço sem fundo.
Afinal…
Já tenho fome de morte.
Filipe Garrido
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