segunda-feira, julho 23, 2007

Horas de cetim

Eu sou um poeta guerreiro
E amo-te desprendidamente
As minhas armas são palavras
Que busco desalmadamente

Sei mais do que já aprendi
E encontrei muitas coisas
Ainda por descobrir
Neste lado do mundo

Sinto coisas que nunca vi
Sei tudo o que desconheço
Ando perdido em palavras
Que tenho por proferir

Perdi-me em ti tantas vezes
Perdi-te sem nunca ter-te
Faz-me falta o que já tenho
Como o fulgor de mil desejos

Dos castelos que construí
Apenas um está em pé
Mas por ser feito de areia
Fundir-se-á com o teu mar

Estou pendente sobre o mundo
Sonho mais do que vivo
Vivo mais que a própria vida
Estou onde não estou

Já condensei tantas vidas
Que a minha vida não para
Corro contra o meu destino
Que nunca me dá o que quero

Tenho o meu corpo aberto
Aqui, para ti e para sempre
O meu coração é uma mina
Que está, prestes a explodir

Estou sentado à beira do mundo
A espera de ver-te passar
O tempo passa devagarinho
E as horas parecem cetim



Para a minha musa de cristal...

Filipe Garrido

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