domingo, março 22, 2009

Sangue Mariano

A vida corre-me por entre os dedos
Como a água que me foge das minhas mãos
Débeis na vontade de matar a sede
A vida foge-me como morcego
Que foge da luz em voo picado
Atrapalhado e descompassado
Será que tu também me foges?
Tu que me fazes lutar contra a natura
Tu que me fazes sentir imortal
Contra todas as adversidades que a vida me oferta
Tu que me fazes lutar contra a força das avalanches
Tu que como o mar e a lua
Inspiras-me a combater
Como um guerreiro destemido,
Aclamado herói
Que combate contra um exercito espartano
Ávido de sangue, de morte
O vento carrega-me para ti
O tempo, já não sei
O sol, está contra nós
E os seres de cristal já não existem.
Por ti,
Sou poeta com sangue mariano
Que nas demandas que a vida oferece
Renasce pelas cinzas paternas
Das vozes sorumbáticas
Que ecoam no meu coração
Quando pensa o passado.

Refluo nas indulgências recentes
Do tormentos da saudade que havia
Faço de mim um novo mártir
Nesta guerra sem cessar
Sem tréguas nem rendições
Somente travado pelo "arrebenta a bolha"



Filipe Garrido

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