Faço uma rima à beira da praia,
Descanso o olhar no voo da gaivota
E trino a viola pensando em ti,
Chorando lágrimas por quem eu perdi.
E este verso enrolado na areia
Levado pelo mar chegará à ti,
No teu coração sentirás meu poema,
Tocando em ti como eu já te senti.
Invoco a lua diante do mar,
Arrefece o dia, eu embalo o luar
E canto para ti oferecendo amor,
Sabendo que o mesmo não me podes dar.
E nesse vai, não vai e não volta
Observo a Kianda, bailando ao luar,
Cantando para quem queira escutar
E roubando o coração de quem sabe amar.
Lamento o tempo que em tempos perdemos
E nunca vivemos para calar o silêncio
Da nossa voz perdida no ar
Como nos cala a beleza da lua e do mar.
Carrego então a dor da despedida
Da ferida sentida que teima em sarar,
Por amor rasgada, de vida despida
Pelas mãos do poeta que não sabe amar.
Filipe Garrido
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