quarta-feira, agosto 15, 2007

Senhor de algo teu

Quem foi nas horas que passam
Levado por sonhos desterrados
Pela dor mais molestada
No coração ressentida
E na pele marcante, gritante
Cortante e latente por dias
Que o tempo não soube contar?

Fui eu

Quem é que amanhã, depois
Para sempre, eternamente
Lembrar-se-á da ressaca
Que é cada vício de ti
Pela dependência das doses
Inertes, injectadas em mim
Directamente no coração?

Serei eu

Quem é que hoje, aqui e agora
Chora por dentro pela mágoa
E pelo grito inchado da esperança
Desesperante de cada presente
Que jamais, nunca passará
Ao futuro frenético que a alma
E o corpo melancolicos anseiam.

Sou eu

Se quiseres compreender-me
Não me perguntes o que queres saber
Mas sim o nunca quererás saber
Para que não me acusem então
Da insensibilidade que não minha
Mas que guardarei comigo
Para poder ser senhor de algo de teu.



Filipe Garrido

Um comentário:

Anônimo disse...

Uau, palavras tão bonitas que usas nos teus poemas, gostaria de saber quem é a sortuda. Quem me dera que sentisses isso por mim :), beijos meu querido. T.S.