terça-feira, fevereiro 28, 2006

Clandestino

Outrora eu tinha sonhos
Viajava em milhões deles
Agora já não existem
Já não tenho fantasias
Perdi o dom que sempre tive
Agora estou vazio
Esta oca alma
Nem feliz me deixa ser
Faz-me ser mais impuro
Um clandestino neste mundo
Sem sonhos não viajo
Não entro em lado algum
Sinto-me um recluso
Na minha própria mente
Sinto-me incomodado
Com a minha própria alma
Neste mundo, quem não sonha
Não é reconhecido como ser
É somente um ponto negro
Num mapa demográfico.



Filipe Garrido

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