domingo, outubro 30, 2005

Tempo morto sem lugar

Sou o tempo morto sem lugar
Aquele que é desconhecido
Sou a justiça forjada pela tua mente
Sou o pólo oposto da superioridade humana
O futuro insípido de tua perfeição
Sou o timorato passado de um idiota
Sou a alma de um cão
Sou o metal menos precioso da terra
Ou a droga mais ilegal do mundo
Sou o defeito programado pela morte.
Sou o triste reflexo de uma vida inventada
Sou a história animada
De um amor inacabado
Sou o sol, sou o rock’n’roll
Sou o fruto proibido que alguém inventou
Sou o parvo aventureiro sem sorte
O abismo sorvido pela tua frieza
Sou a inquietude da tua certeza
Sou um livro aberto feito para se fechar
Sou o documento em branco
Que todos querem ler
Afinal, eu sou tudo que queres ser.



Filipe Garrido

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